O músico

domingo, janeiro 17, 2016

- "You only know you love her when you let her go." - a melodia ecoava pelo pátio...
- Mas eu não a deixarei ir. - E seu olhar me fisgou de todas maneiras que poderia, sem ao menos deixar aviso prévio do que viria em seguida.
Escureceu quando as luzes eram o único refúgio procurado pelos surtos de lucidez momentâneos. As pessoas me olhavam sem entender minha expressão desajustada àquele dia tão bonito. 

Desejei a noite com todas as minhas forças, e ela chegou arrastando-se, apenas por provocação. Puxei a cadeira e sorri para eles ao meu redor. Meus olhos estavam no palco. E quando a melodia começou a inundar o bar, percebi o misto de calmaria e excitação em cada um daqueles olhares que deixavam-se ser analisados por mim, a psicologa que analisa tudo  que vê e joga num caderninho no fundo da gaveta do escritório. E então eu me distrai, e as luzes se apagaram, e eu o vi. Pelos deuses! Eu poderia levantar daquela cadeira e me esgueirar para a porta pelo medo do que me atrai e retrai, mas meus pés fincaram no chão daquela maneira que eu não vivenciava há anos. 

Era o tom de voz mais bonito que já alcançara meus ouvidos, e não só me fez desistir de qualquer hipótese de fugir, mas trouxe a calmaria que eu desejei durante toda a semana. Minha risada ecoaria ali se minha sensatez não me ajudasse a compartilhar minhas emoções apenas internamente. Ali estava ele, no palco, observando as mesas e seu público que o idolatrava com os olhos. Vi a satisfação cintilar em seu olhar, e ele fechou os olhos, suspirando com a nota que me deixou fantasiar tua presença ao meu lado.

Sua voz rouca cessou e agradeceu a presença de todos. As luzes apagarem-se e apenas alguns feixes iluminavam o ambiente, minhas companhias esgueiravam-se para lá e para cá procurando sua diversão, e depois de muito insistirem também levantei e fui para um canto próximo a saída de emergência.

O som mudou, minha visão embaçou com a neblina aromatizada a minha frente. Alguém me moveu e meus olhos fecharam-se quando aquele  tom de voz me chamou pelo apelido quando ninguém nunca o fazia. Deixei que me levasse para o meio, onde uma luz opaca tentava nos iluminar, mas não conseguiria, pois em silêncio prometemos que hoje seriamos apenas eu e ele, e a única luz que nos iluminaria seria a que refletíssemos entre nós. 

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2 Comentários

  1. Ei!

    Não sei se você vai lembrar de mim, eu tinha o blog Remember (que agora mudou de nome), mas fiquei um pouco afastada da blogsfera nos últimos dois anos. Agora voltei com o Janela de Sorriso e tenho que dizer que teus textos continuam lindos e teu blog está uma fofura. <3

    Beijos!
    www.janeladesorrisos.com

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Obrigada pela visita! ♥

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