Hoje eu quero falar de você

terça-feira, setembro 08, 2015

Eu gosto de dizer que a vida é engraçada, é bipolar, te faz rir hoje, e chorar amanhã, mais tarde, agora ou antes. E ela já brincou tanto assim comigo que eu já talvez esteja me acostumando, ou conformando, mesmo que não goste da ideia de conformismo. Porém, algumas coisas ou é isso ou a bipolaridade atinge da pior maneira. E é por isso que hoje eu quero falar de você. 

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Li em um livro do John Green que "A dor é para ser sentida", e para aqueles que me conhecem bem sabem que eu não me deixei senti-la nos últimos meses. Mas me aconteceu algo, mesmo depois de tantas vezes sonhar com você, nossas conversas, e mesmo depois daquelas palavras que me disse naquele dia nublado e corrido "Seja feliz, siga teu caminho", eu nunca enxerguei, até ontem. Ontem que alguém não me olhou estranho quando eu disse que tenho sensações estranhas que me proporcionam previsões, quando alguém me disse que me entende, porque também sonha. No entanto, sabe a nossa diferença? Ele, nos sonhos, enxerga e ouve com clareza, com pureza. Eu só vejo uma névoa carregada de magoa e sentimentos oprimidos de algo que poderia ter sido e não foi. Nunca lidei bem perdas, ainda mais quando elas significam que ali existe um para sempre tão sólido que abate minhas forças de  forma desesperadora.

Uma vez já me deixei sentir, na noite do meu último surto de rebeldia, da minha última tentativa de ser alguém que não preciso ser. Ainda sinto os braços maternos acolhendo minha alma que se encontrava tão perdida no meio de tanta magoa, tanta falta de entendimento. Aquela tinha sido a última vez. Até agora. 

Sabe, eu sei que hoje você está em um lugar melhor. Em sua crença, acredito que tenha encontrado o que tanto procurou um dia, que vez ou outra nos contou e eu tanto discordei porque estava na minha bobagem de continuar a ser do contra. Eu, na minha crença, a vejo ao lado "dele" e daqueles anjos que eu tanto deposito minha fé. Ai, eu sei que vocês cuidam um do outro, e antes de tudo, que eles a estão cuidando da melhor maneira possível porque na última vez em que a vi e que eu soube, eu os fiz um pedido, pela terceira vez, e foi por você.

Até ontem eu evitei olhar suas fotografias. Então tive coragem de abrir aquela caixa onde guardo minhas melhores lembranças com unhas e dentes, e olhei sua imagem. Você sorria. Deus! Como poderíamos imaginar que um dia tudo aquilo te aconteceria, que iria abalar a estrutura de todos ao nosso redor? Eu vi tanta felicidade, cumplicidade. Naquela foto eu presenciei VIDA! E foi observando aquela luz que a envolvia que eu me dei conta que chegou a hora de sentir, te sentir. Chegou a hora de quando novamente encontrá-la em sonhos eu abraçá-la como desejei ter feito mas não pude, e olhar em seus olhos e dizer que sei que está bem, e um dia nos veremos novamente em um lugar melhor, e todo o passado será regado apenas pelos momentos bons. Pegarei em suas mãos e em minha mente terei a imagem de você me segurando e me dando o primeiro banho, porque essa era sua tradição por aqui. A olharei nos olhos e direi que eu também te amo, e sinto a sua falta. 

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3 Comentários

  1. Que texto dolorosamente lindo.
    A dor quando sentida se transforma, e essa transformação é necessária para o caminho que se segue junto com essa dor. Ela pode não ir embora, mas ameniza e se aconchega no coração de algum jeito.
    Que então sua dor possa ser transformada.

    Beijos.

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    Respostas
    1. Já está sendo sim, Magda. Apesar de concordar com a frase do John quando li o livro, não pratiquei. Afinal, na teoria é sempre mais fácil, né? Porém, uma hora a dor nos acha, por mais que fugimos dela.

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  2. Sem palavras ....Não tenho muito o que dizer, me identifiquei. Sei de perto como é a dor dessa "falta" :( E é infelizmente necessário que nos deixemos sentir a dor. Ótimo texto.

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Obrigada pela visita! ♥

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