Monstro

sexta-feira, junho 19, 2015

Talvez este seja o último dos meus textos. Talvez este seja apenas o inicio do recomeço programado que nunca chega porque meu relógio parou há muito tempo. Há anos minha mente não trabalha da mesma forma, e do mesmo modo minha sanidade perde-se a cada sopro desse frio de outono. Desde algumas viradas de fases da Lua, com a qual eu costumava transitar meu humor de apaixonada para paz interior, que a bipolaridade incessível me conduz. Minha luz já não é mais a Lua. Aliás, eu não vejo mais a luz. 

Foi no outono que a lua entrou em nova e nunca mais se transformou. Que meus olhos deixaram de alcançá-la devidamente; com a alma, com o coração. Eu vi a sombra adentrar cada cômodo da minha casa que chamo de “meu corpo”, e pior do que uma morte certeira, rápida, foi como uma em que o agressor lhe faz sofrer, sucumbir aos poucos a cada nova tática de tortura vinda daquela mente fantástica. O tempo ri da minha impossibilidade de acabar com isso. De matar essa sombra que paira meus dias, que paira na vida daqueles que habitam a alma que possuo. 
Imagem: Flickr

Se me perguntar do que sinto falta, direi que é da inocência. Da minha. Quando meus olhos não viam, e meus ouvidos não captavam sons que me atormentassem. Foi das percepções dele que tudo mudou. Deixei de ser doce há muito mais tempo que o meu previsto, eu magoou as pessoas que amo pelo simples fato da raiva me dominar, do ódio me cegar da maneira mais doentia, da tristeza me abraçar maternalmente. Não existe vivacidade nos meus atos, e o bem se esconde tão perfeitamente que me pergunto se algum dia me abandonará completamente. Que a sombra me roube ela de vez. 

Nunca realmente acreditei em monstros que habitam sob a cama à noite, mas eu o vi ao acordar, depois daquela noite em que o sopro de vida quase não me encheu todos os pulmões. Apertei sua mão, e acredito que minha alma perdeu-se naquela troca de energias que se enfrentaram de longe ainda num sonho ruim dito pela aquela senhora Liberdade. Desde então meu coração falha a cada novo deslize na minha luta em vencê-lo, minha energia recua e clama ajudas que não vem, que se vão na mesma rapidez em que chegam. Temo em não aguentar, temo em cair como anjos porque traíram a própria alma, pois é isso que os recentes eventos me fizeram fazer, que o tormento daquela sombra me insinua a fazer. E já não sei mais se hoje o monstro é ele... ou eu.

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