Deixa ficar subentendido

terça-feira, outubro 07, 2014

Larguei a caneta em cima do caderno. Que fique pra depois o resumo da matéria do dia seguinte, que eu fique acordada até mais tarde ou acorde cedo depois de quase virar a noite escrevendo. A N. precisou de mim, e mais do que isso, me analisou e soube o que acontecia. Era ele. E talvez fosse ele o tempo todo, quando eu bati os olhos na sua despreocupação escondendo o nervosismo das primeiras horas naquele ambiente novo. Talvez fosse o primeiro sorriso que me deixou curiosa para saber quem era de fato. Minha ansiedade quando ameaçou virar e puxar conversa, e eu querendo me esconder pelo simples fato de falar pouco com quem não conheço. Mentira, vai, é só o simples bloqueio de conversar com quem me cativa de cara. 

Estive refletindo sobre tudo. O inicio, e todo o meio turbulento, e agora todo o resto do meio que desenvolve-se confuso. Eu não disse, e não o fiz por ser filha de um receio que temo carregar pelo resto da vida. Pelo receio de olhares que censuram, balançadas de cabeça que desaprovam, ou um virar de costas que me cortaria o coração em pedacinhos. Sabe, não quero ter que pegar os restos no chão. Dói mais é a reestruturação, essa continuação de algo que deu errado, desconforme os planos feitos no caminho para o destino final daquele dia. Eu não disse naquele dia maluco em que você me parou na esquina da estação que eu também gostava de você. Eu não disse no dia seguinte que entendia o que havia me dito anteriormente. Sabe o receio? Ele atuou direitinho. 

Engraçado como a vida joga com a gente, como o universo te dá pistas e mostra caminhos, e eles passam tão desapercebidos se não prestarmos atenção. Esses dias foram de olhares minuciosos para cada passo, cada sinal. Creio que, pela primeira vez, não ignorei o que eu mesma gritava interiormente. Eu errei, errei feio nessa estrada louca, mas convenhamos, não estou sozinha nessa. O erro começou com a falta de sinceridade de uma das partes, que admito ser da minha (e da sua?), talvez se eu utilizasse da clareza as coisas teriam sido diferentes. Ou não, porventura eu teria concordado com a situação que você proporia como aconteceu e teria dado na mesma. Talvez se eu tivesse aberto a boca, não teria deixado minha impulsividade louca pela raiva fazer tudo o que fiz. Talvez se eu tivesse feito isso, falado, não estaria aqui escrevendo.

Semana passada falei sobre a minha frieza em relação aos outros, e falar foi algo desesperador, pois há muito havia guardado. No entanto, parece que jogar pra fora tudo aquilo que é ruim e te incomoda abre algumas portas antes fechadas a sete chaves. Hoje as coisas mudaram. Pode ser um simples momento, mas pode ser uma certeza que se arrastará por um tempo. E isso só os dias dirão. Não há mais frieza. Eu tenho a certeza das coisas que eu quero, e parece que você é uma delas.  

E então eu afirmo que quando olha para o lado, é para mim que eu queria que estivesse olhando, quando pronuncia um nome com algum tipo de interesse, é o meu que gostaria que pronunciasse. E quando te observo, não é por bobeira minha, é aquela mania de gravar fisionomia, cada traço do seu rosto para lembrar quando me sentir sozinha. Gostaria de pegar na sua mão e te puxar para esse mundo louco que passa em minha cabeça, sair mundo afora, como tenho planejado, e explorar outras culturas, ter sua opinião naquele capitulo que demorou horas para sair e que quase me deixou de cabelo em pé, e você leria e contaria o que achou, e eu observaria suas mãos gesticularem conforme explicasse sua posição, e quando eu contrariasse suas palavras você deixaria os ombros caírem e me olharia com aquela expressão desapontada. Sabe o que eu faria? Mandaria um sorriso e te abraçaria, porque e exatamente isso que eu adoraria fazer agora. 

E ah, depois de tanto falar... Sim, eu gosto de você (e talvez até aquilo que escapou da minha boca quando meu corpo todo encontrava-se petrificado quando me disse o mesmo. Vai saber!). 

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3 Comentários

  1. Te acho linda, o que fazer?

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    Respostas
    1. obrigada! haha Identifique-se.

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    2. www.jaetarde.tumblr.com

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Obrigada pela visita! ♥

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