A minha saudade

domingo, agosto 10, 2014

Quando o conheci ele ainda não havia se formado. Eu estava no fim do ensino médio, e me entristecia nossa diferença pequena de idade. O achava maduro para mim, que me considerava tão imatura naqueles últimos tempos, diante de todos os acontecimentos daquela minha época inapagável. Foi entre as inúmeras noites em claro que o conheci. Eu andava sem rumo, perdida nos pensamentos, observava o céu vez ou outra, e conversava com minha companhia imaginária. Então tropecei, e alguém me segurou. Era ele, o dono dos sorrisos que sonhei tantas e tantas noites. Hoje, quando lembro, o coração aperta de uma maneira que me encoraja a abrir-me novamente para aquele sentimento tão bom, e, ao mesmo tempo, as cicatrizes que levaram tanto tempo para sumirem martelam na mente e gritam para que eu fique onde estou. Mas ele, foi ele que me reacendeu, quem trouxe sentimentos tão bons. Lembro da angústia que era estar longe, da minha mobilidade que era quase nula, e do quão difícil era vê-lo. Quando ele me contou que se formaria em jornalismo meus olhos brilharam, e quando recebi o primeiro texto escrito pensado em mim, meu coração palpitou. Acreditei que naquela noite o céu o havia enviado.

O primeiro encontro de verdade foi numa estação qualquer afora. Cheguei antes, e seu atraso de dez minutos não fiz a minima diferença. Eu o veria, e qualquer outra coisa era banal comparado. O mundo simplesmente parou quando olhei distraída para o lado e o vi me observando de longe. Nosso abraço durou o bastante para que eu gravasse seu perfume na mente, e o resto do dia colaborou para que ele permanecesse em mim. Ah! Me recordo daqueles dias e só consigo sentir a falta, a saudade do homem-menino que eu de fato amei, que armou tantas barreiras dentro de mim, e me fez quebrar todas.


No entanto, barreiras exteriores sempre existiam, e chega uma hora em que se cansa de tentar ultrapassá-las. Ouvi dizer que amor de verdade ultrapassa qualquer obstáculo, mas aprendi que barreiras quebram-se apenas quando existe força reciproca. Não que eu acredite que não fui correspondida, pelo contrário, sempre acreditei que sim, mas nossos esforços caminharam em percursos distantes. Infelizmente nossos dedos se desentrelaçaram no meio do caminho, e nossos sorrisos perderam-se por ai. 

Hoje tive o impulso de entrar na página do facebook. E maldita seja a minha curiosidade que depois de tempos me fez voltar à página que eu frequentava quase que diariamente. Ouço a música mais melancólica no momento e, agora, falando com você, moço, confesso que só me transborda saudade. Faz falta o abraço, teu afeto quando não queria mais me largar. E sabe de uma coisa? acredito que ainda lhe tenho amor. Sabe por que? Trouxe dias felizes para a minha vida, me fez enxergar melhor mundos alheios, e apesar dos pesares, foi contigo que eu soube o que era essa coisa de amor. Descobri que amar é o desejo de ver o outro feliz, deixar ir.

E sim, por isso eu o soltei. 

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8 Comentários

  1. Nossa, Brunna. Tão intenso e dolorido, mas tem uma beleza ímpar no enredo: tem amor!

    Beijão.

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  2. Bru! Adorei a mudança do bloguito! :D

    Saudade é um negócio tão estranho: doído e bonito ao mesmo tempo. Como pode?

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    1. Obrigada, Ana! :) Espero continuar com o visual por um boom tempo. rs

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  3. Certos horizontes retornam para avivar os olhos. Tantas sensações flutuam no céu interno. Precipitamos em intensa saudade. Falta do carinho, de um caminho que outrora nos levou a tantos lugares bonitos. A gente sorri soltando afetos. E o amor permanecendo fiel...

    Lindo Bruna.

    Ah, fiquei feliz pela sua visita no meu blog. Sentia saudade de ti *-* Não se perca. Volte mais vezes. Beijão!

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    1. Que belas palavras! :)
      Voltarei ao blog com toda certeza! ♥

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  4. Ai, Brunna... Tão belo e tão triste.
    Mas esse amor te trouxe amadurecimento. Nem todos conseguem agir tão sabiamente assim, em soltar pra deixar o outro ser feliz.

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  5. Só o eu lírico que tu usaste nesse texto pra ser se considerar imatura, mas enfim, quando os nossos dedos desentralham, é difícil. A saudade aperta feito nó, qualquer mínimo detalhe faz falta. Mas é bom a sensação do "fiz a coisa certa."

    Lindo texto Bru!
    Beijo

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Obrigada pela visita! ♥

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