"O quão doce seria se tivesse dado certo?"

quarta-feira, julho 16, 2014

Li esta frase em meio a uma travessa da Avenida Paulista. Estava eu atrás de uma livraria escondida entre aquelas ruas afastadas que todos diziam ser espetacular, mas que poucos conheciam. Lá tinha ar antigo, clima literário, cheiro de livros novos e velhos até a calçada. É o que diziam. Mas parei para ler a frase, atrasando-me para um dos melhores encontros da minha vida. Atravessei a rua e a imortalizei em uma fotografia, até me atrevi a me focalizar na câmera frontal. Postar? Magina, isso era entre eu, a foto e a frase. Me recusava a compartilhar minha passageira angústia, ou minha antiga decepção (comigo mesma) com - não - estranhos. Tecnologia fajuta aquela, que me ajudava, mas puxou o tapete.

Recorda-se daquele meu problema em escrever cartas? Não, eu havia me esquecido, não tive tempo de te contar. Entretanto conto para as quatro paredes que me cercam o que aqui se passa agora. É estranho como o hoje caminha, é confuso quando paro para observar todos os cantos de um espaço, quando paro para sentir o ar, tudo e a todos. Eu me permito sentir mais agora, e isso me náusea, mas faz feliz. Gosto de dizer que não tenho arrependimentos, mas no fundo, sim, eles existem um pouco. Fictício ou não, eu deveria ter ao menos tentado, lidado com o acaso, sido menos medrosa.

Lembro do som infantil daquela canção da infância, da nossa, quando nem ao menos sonhávamos esbarrar um no outro nessa linha-estrada vida. Havia uns bons meses que nos víamos vez ou outra, que esses olhos verdes incomuns me davam aquele longo e breve “Bom dia”. Sabe, garoto? Gostei de ti assim que te vi, mas em silêncio. O fato? Não do jeito que te vi nos meus futuros romances escritos, mas do que o vi nas minhas aventuras malucas, nos vi em meio a altos papos, me vi confidenciando segredos que só os mais – ultra – chegados têm acesso. E ai o tempo passou, e aquela melodia do super fantástico amigo te mirou, e eu completei minha visão de você, te vi encarnando alguns mocinhos dos meus romances, peguei até a sua característica física mais marcante e coloquei em vilões, te roubei o olhar.

A ausência foi grande, após recusas minhas, medos da menina com temores. Esse tal tempo correu, e eu sentia falta, mas não procurava. Não questione-me o que havia em minha mente, nem eu sei. Como consegui? Sou um mistério para mim mesma, já até desisti de desvendar esse meu interior que tanto me desvia do que o coração pede.

Fechei os olhos e visualizei: era um dia importante para mim, e você chegou de surpresa. Não sei o que se passou em sua cabeça chegando do nada, mas estampou um sorriso sincero em meus lábios. Compartilhamos uma música que nem ao menos lembro o nome, e você envolveu minha cintura com as mãos e deitou no meu ombro, fiz o mesmo. Aquilo foi o abraço que nunca tivemos em todos os momentos incógnitos de nossa vida (não) juntos. Dançamos ao som de várias melodias que ainda tenho no pen drive. Foi a noite de “últimos”: último momento, último beijo, último abraço. Foi uma despedida que nós dois concordamos em ter.

Pisquei e avistei a porta da livraria. Sorri ao devaneio e corri para o melhor encontro da minha vida.

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