Roteiro

segunda-feira, maio 12, 2014

Bom dia, boa tarde, boa noite, garoto. De qual turno você é? Hoje acordei me perguntando por onde anda, com quem sai, quem recebe seus sorrisos matinais, se é alto, baixo, de bom humor, ou um ranzinza que sabe ser simpático quando quer; será que vira noites portando um bom livro nas mãos, ou com loucuras dispensáveis que lhe cansam as mãos estendidas sob o rosto a ponto do livro cair quando adormecer? Ou vira a noite numa corrida interminável com o concorrente do vídeo game? Sonhei contigo hoje, mas tua face esteve tão distante que abri os olhos com aquela antiga perturbação, a inquietação que me formiga as mãos na ânsia de esbarrar com sua cara amarrada, ou sorriso estampado nos corredores do trabalho, nas ruas bagunçadas da minha São Paulo, ou nos elevadores amontoados da faculdade. 

Minha vista embaça quando limpo o vidro manchado, é pura conspiração do tempo, ou uma brincadeira de esconde-esconde sem nexo para mim. Tire tua máscara, abra os braços e me deixe conhecer teu mundo ensolarado, nublado ou sombrio; deixe apenas. Se estiver ruim a gente reinventa uma história bem arquitetada, colorimos o preto e branco e montamos nosso próprio roteiro, entregando para aquele diretor que esbarrei um dia desses em um daqueles corredores desertos da faculdade. Segundo ele, eu deveria seguir tua carreira, ou me embocar num teatro conceituado, pois minhas feições mentem bem, minha tranqüilidade estampada solda bem minha máscara que esconde a inquietação na alma, as lágrimas que meu orgulho não deixam rolar. Ele me enxergou bem, e eu toparia escrever o roteiro que ele propôs. 

Agora, longe de mim a vontade de ser idolatrada. Dispenso que ajoelhe-se e me prometa amor eterno, minha alma é de pura calmaria, e eu só quero conhecer teu mundo com o tempo e mostrar-te essa bagunça regular que é o meu. E meu coração tem um espaço que é tão grande, tão doce e assustado que aceitaria guarda-lo ali e não mais tirar, e se você um dia pedisse, eu hesitaria, mas o tiraria de lá com um esforço danado, após um bom tempo de tetos contemplados, e adoraria vê-lo feliz. Sou egoísta, mas quando amo, quero felicidade estampada mesmo que meu coração esteja tão em pedacinhos que desista de me sorrir pela manhã. Eu sorriria de volta pra você na rua se o visse; sei que o faria: Ocupou um dos espaços mais preciosos aqui dentro, e lhe teria afeto eterno. 

Mereço umas belas chamadas de atenção, pois tenho coração mole, afetado sei lá desde quando, nem o vi - será? - e já abri-me sobre futuros que não desejo. Então faz assim, esquece o que leu sobre remover a tua tatuagem do coração e me encontra. Ignore meu futurismo e perfeccionismo precoce, sou assim, e vivo cheia dos tropeços quando minha mente se põe a pensar, o tempo todo, mas carrego por ti o mais doce afeto. Vem e tire minha curiosidade, pois o roteiro já está quase terminado, só há reticências quanto ao teu rosto e nome. Já reservei a pipoca dos dias chuvosos e nossa lista de comédias românticas, tem até um terror ou outro se preferir, eu abro exceções. 

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4 Comentários

  1. Respostas
    1. Que bom que gostou, Rafa! :D

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    2. Gostei sim, e já lhe disse.. Não se perca disso, continue neste caminho!! Tu tem futuro guria!! :)

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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