First

segunda-feira, maio 19, 2014

Uma vez, minha irmã me disse que quando eu me afastasse daquela rotina matinal, eu esqueceria sua face por meses, e os sentimentos não se atreveriam a me enfrentar todas as manhãs em que eu o via descer a rampa. Funcionou. Mas não é algo que eu trato como permanente. O vi ontem, e largando a timidez, encarei enquanto dançava perto de outra pessoa. Não tive certeza se deveria levantar e entrar no ritmo da música que eu sequer gostava apenas para aumentar as chances de proximidade. Por mais clara que minha mente esteja hoje em dia, e eu saiba direito o quero e queira ir atrás disso, eu tive a incerteza ao meu lado naquele instante. Apenas observei e deixei que notasse, creio que o tenha feito, ou foi apenas impressão minha. É, garota, quem muito deixa de notar, um dia deixa de ser notada... 

Ele tem o sorriso torto que já o fez dizer que precisava usar aparelho. Quando sorria, o desenho de seu queixo formava uma bela dupla com seus lábios finos. Tem olhos redondos e pequenos, castanhos, nada muito intrigante comparado a olhos claros, mas ele possuía uma forma única ao me lançá-los, algo que valia muito mais que um incrementado olhar azul, verde ou mel nas calçadas da vida. Parecia me ler, e aquilo me fazia o tipo de falta que apertava o peito e fazia fechar os olhos apenas para reviver aqueles momentos de outrora. Ele cresceu, ficou mais alto que eu, que no início passava estranhamente de sua estatura baixa de menino em desenvolvimento. Ombros largos e braços fortes agora o pertenciam. Eu podia imaginar o quanto chamava a atenção das outras que eu almejava não lembrar, ele tinha uma presença que marcava. Era de família, aliás.

É estranho como alguém pode te marcar tanto. Creio que anos podem passar, e nestes, não o ver um só segundo do meu dia, mas ao avistá-lo, mesmo que de longe, uma única vez, me fará reviver momentos, terei um sonho ou outro em que acenarei do outro lado da estação, ou em que terei algo que nunca tive, no meu erro de tanto pensar. Me flagrei a questionar os efeitos, me inquieto em não saber a resposta (ou saber e ter medo dela). Pode alguém voltar ao mesmo ponto inúmeras vezes e sentir-se do mesmo modo? É como andar em um labirinto e depois de horas tentando encontrar a saída, chegar ao ponto de partida. 

Cá estou lamentado um amor perdido, um dentre (poucos) vários que já tive ou ainda terei. Porém ressalto, não é qualquer amor, foi aquele que me apresentou a beleza do sentimento de afeição por alguém que você nem ao menos conhece bem, de como sentimento de amizade pode transforma-se em amor. Foi ele, e sempre será, o tal do primeiro amor.

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1 Comentários

  1. Little Bru! TANTO tempo sem saber o que é blogosfera e o que eu perco? Esses contos lindimais sô!
    A gente sempre carrega uma nostalgia do que vivemos, amores que se vão então, uao! O primeiro amor carrega um quê de inocência que marca mesmo! Um sofrimento e angústia que não passam! Mas a boa notícia é que amores novos virão e que amores maduros virão, na hora que tem que ser. Aí, aquele primeiro amor, fica na lembrança, sem doer. <3

    Beijoquinha.

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