O nosso quase (tudo)

sexta-feira, dezembro 06, 2013

 Créditos de imagem
Amanhã faz seis meses que você saiu daquele carro e seguiu em direção à estação de trem após um leve sorriso ao se virar para me olhar. Quis certificar-se de que eu o estava observando pela janela do carro, se eu ainda guardava no olhar toda aquela admiração que senti desde o momento em que o conheci naquela rede social absurda. Sim, eu o observava, escondia um sorriso no canto da boca, pois, para variar, eu apesar de feliz, sempre fui muito orgulhosa. Fui. Não sou mais como antes. O vi caminhando, aquele andado despreocupado de menino que se recusa a crescer, apesar da maioridade que já o cerca há alguns anos, mas que deve carregar mundos nas costas, e nunca soube como falar disso comigo. Voltei para casa e fiquei no sofá, voltando o filme que tínhamos assistido e relembrando tudo o que foi dito e o que eu gostaria que você tivesse feito. Eu estava feliz, apesar do nosso futuro incerto. 

Fico me perguntando o que eu teria feito se soubesse que aquele era o último dia em que o olharia nos olhos e teríamos uma conversa séria sobre nossas vidas. Será que eu correria atrás e tentaria sustentar todas as implicâncias da nossa quase-convivência? Sabe, eu confesso que sou teimosa. Faz parte de quem eu sou, e foi por isso que depois de um tempo deixei de mandar aquelas mensagens longas e bonitas. Não porque eu havia deixado de gostar de você, ao contrário, os dias passavam e o sentimento aqui dentro só crescia, mas porque eu sentia um falta de interesse da sua parte. Eu sempre me perguntei qual era o seu problema, se era puro descaso ou porque você é o tipo sossegado que deixa as coisas acontecerem. As pessoas próximas podem brigar comigo, mas eu errei em um ponto sim. Meu maior erro foi me calar diante de tantos defeitos da nossa quase-relação, deixar o que me incomodava incomodar, não ser clara com você. Lembro que quando eu perguntava se algo em mim o irritava, você dizia que estava tudo perfeito. Era verdade? não é possível, sou tão cheia de defeitos que até eu constantemente me irrito comigo. Não deixei de me preocupar com você, eu demostrarei preocupação quando você disse que não estava bem e seus amigos haviam sumido. Te ofereci minha companhia, disse que podia me chamar quando quisesse, eu estaria aqui para conversar, ou até ficar em silêncio quando houvessem apenas pensamentos, mas você não chamou. O silêncio reinou. Há uns dias você disse que da última vez que conversamos eu parecia chateada, e você não soube como agir. Me pergunto qual foi a dificuldade em perguntar o que estava acontecendo. Lhe causei algum tipo de medo? Ou foi apenas a última justificativa que reluto em aceitar: você já não queria mais? 

Éramos bonitos juntos. Sim, eu confesso que ficava admirando nossa parceria em fotos, e sonhava com aquele nosso livro que planejávamos escrever em parceria desde que o nosso primeiro ano de amizade. Lembro das bonitas palavras que jogou em minha tela antes de pedir o meu número, pois sentiria vontade de falar comigo enquanto eu viajava para ver pela primeira vez o nascer do sol no cais. Eu sempre achei desabafos amorosos e de decepções algo que eu nunca faria, pois era sinal de fraqueza. Mas sabe de uma coisa? Fraqueza é eu me calar e deixar toda esta situação guardada aqui dentro, apertando o peito a ponto de eu sentir raiva de mim mesma. Me sinto forte ao jogar todas estas palavras aqui, pois é de leveza que eu preciso; de mais, pois já me sinto assim faz algum tempo. Sou nova para acumular tantas emoções no coração, estou na fase de jogá-las mundo afora, no meu livro, quem sabe. Tem algo de você que ainda espero, mesmo que eu coloque todos os dias na cabeça ao acordar que não devo esperar nada de ninguém, apenas de mim mesma, e é aquela nossa conversa. Já deixei vírgulas em minha vida duas vezes, não quero uma terceira. Espero isso pois quero nem que seja um ponto final. 

Não deixarei de amar aquelas músicas. Tenho a velha mania de direcionar canções à pessoas, e corro o risco de quando me decepcionar com estas, elas tornarem-se odiosas e me fazerem mal, ao contrário de antes. No entanto, elas me agradam de modo inexplicável, do mesmo modo que algumas que passei a ouvir desde Abril. Apesar do leve gosto amargo delas, eu ainda sinto o sabor doce de suas melodias. Elas me apresentam a "halo" de um anjo que sempre surge para me acalmar "when you (I) can't sleep at night", e "My Understandings" ficam mais claros antes de adormecer. E é isso, aqui deixo gravado a minha mulherzice da vez, sem nenhum incomodo pós-fala-coração. 


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6 Comentários

  1. Olá, acabo de visitar seu blog e segui-lo. Lhe desejo foco, sucesso e força. Que conquiste muitas realizações através do mesmo. E também convido você e seus/suas leitores/leitoras a conhecer o meu blog: toobege.blogspot.com.br . Beijinhos e espero você lá também *0*

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Se a gente ficar nos fazendo perguntas do tipo " se eu..." ficamos loucas.
    Aconteceu o que era pra acontecer e ponto. As reticências que colocamos em certas histórias é porque somos teimosas e esperamos das pessoas. Só quando aprendemos a não esperar dos outros o que faríamos é que conseguimos colocar um ponto final e seguir em com paz no coração.

    Beijos

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    1. Exatamente! Temos que fazer a nossa parte, que é ficar bem acima de tudo, fazer por si e não criar expectativas em cima de ninguém. E o resto se acerta. :)

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  4. Nossa.. me vi em muitas partes desse textos.. me trouxe à tona, coisas de um passado não tão distatante.. quero publicar esse texto no meu blog.. posso?

    whatisbrubs.blogspot.com

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