Sob a mesma Lua

sexta-feira, novembro 08, 2013

we♥it
Ela me observa enquanto atravesso a avenida. Sua luz alaga o asfalto e posso ver seu reflexo distorcido nos ladrilhos; a vejo mais claramente ao olhar a vitrine da loja de artefatos já fechada. Ergo a cabeça e meus olhos faíscam, meu coração parece dançar no ritmo daquela velha melodia. A Lua me olha, como se eu fizesse algo imaturo ali, no meio da avenida. Só faço sorrir, pois meu corpo deleita-se com cada sopro do vento que vem de encontro a mim, a cada carícia em meu rosto. – Ai está você Lua que ilumina minhas noites, como faz a tantos outros, mas que aqui significa muito mais. Sinto sua falta quando deixa-se vestir pelas nuvens, e faz-me rir quando abre espaço entre elas.

Baixo o olhar enquanto, em minha velha mania, chuto pedras perdidas na calçada. Pensamentos voam, e ouço a risada de um garotinho ecoar na viela pela qual acabo de passar. Quando volto a espiá-la, conversando em silêncio, sinto um movimento no interior da bolsa. Pego o celular, sem conter o sorriso: – Já viu a Lua hoje? De onde estiver, olhe para o céu. – Ergo a cabeça e tenho a sensação de que Ela acabara de lançar-me uma piscadela. Seu cintilar envolve meus pensamentos, o vento se intensifica e ouço aquela branda voz que me faz acalmar: — Belíssima noite. — te ouço. 


Nostalgia mesmice? que fique no ar. 
Texto escrito em abril para o blog "Sob a Luz da Lua".


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2 Comentários

  1. A lua é uma coisa fantśtica. Ela tá lá, quietinha, é só uma bola branca no céu, mas dependendo de que te pede para observá-la ela ganha uma outra imagem, ganha uma história e até um rosto.
    Amei o texto. e o blog inteirinho.
    Beijão
    barradosno-baile.blogspot.com

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  2. E não dá aquela sensação de que estamos mais próximos a pessoa que nos falou sobre a lu?

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Obrigada pela visita! ♥

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