Velha infância

segunda-feira, setembro 24, 2012

Já faz algum tempo que venho devaneando com minhas lembranças. Sinto vontade de voltar no tempo e reviver ou até refazer momentos. Tudo começou a apertar nos últimos anos, escola já não é mais a mesma, acabou a mordomia de fazer birra sem ter a preocupação de passar vergonha; agora sou tão cheia de receios. O tempo passou tão rápido. Parece ter sido ontem que eu estava com sete anos, ouvindo meu tio comentar que faltava apenas alguns anos para que eu fizesse quinze anos e tivesse minha noite de debutante, e eu baixei o olhar tristonha porque achava que iria demorar. E olha só, já estou com dezessete anos, e quando olho para trás, ter uma festa de debutantes já não é mais tão empolgante.

Ando nesta nostalgia de ser criança, que chega a doer, que faz lágrimas correrem pelo meu rosto. Sinto falta da inocência dos meus dias, das belas imagens que fazia de tudo. Da empolgação em viver momentos aventureiros, de passar as férias numa praia com a família ou os amigos sem limite de diversão. Faz falta não ter responsabilidades, não ter de se importar com o que se passa ao meu redor, afinal, nenhuma atitude conta drasticamente no futuro quando somos crianças. Tudo é festa. Tudo é tão feliz. 

Não me arrependo de nada que fiz. Fui uma criança repleta de sonhos, tive meus momentos de travessuras e, se me arrependo de algo, é de não ter aprontado mais, e um dia querer imitar adulto e reclamar da vida. É engraçado, porque do que eu poderia reclamar? Sempre foi tudo tão nos eixos. E agora, caminhando para a fase adulta, passando pela difícil fase da adolescência, vivo reclamando, às vezes, sem motivos - por força do hábito -, e só queria poder esquecer esta regra de ter de crescer e ser criança novamente. Faz falta ter tempo, brincar com as amigas no quintal de casa, assistir desenho a tarde toda e fazer a lição de casa - que era tão pouca - só no início da noite e terminá-la em menos de uma hora. Era bom quando a minha única preocupação era chegar em casa em dias frios ou chuvosos, e me enterrar embaixo dos cobertores no sofá da sala e assistir sessão da tarde. 

Eu sempre soube que teria de crescer, e sempre tentei idealizar isto da melhor maneira possível. Está difícil, complicado... Mas me sinto feliz quando releio diários, cartas, vejo fotos e descubro lembranças que me dão motivos para sorrir e dizer: valeu a pena cada momento! 

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