De quando éramos

terça-feira, agosto 14, 2012

Olá, querido! 

Estou aqui, tô te lembrando após ler umas palavras que postara em alguma parte da rede. Tô lembrando, mas não com saudade louca, muito menos com mágoas ou sentimento de dever não cumprido, te lembro com carinho, com afeição e admiração. Teve uma época em que quis bater com a cabeça várias vezes na parede por deixar você passar tão fácil, por achar que foi vacilo meu você fora do meu caminho estar. E hoje, algumas vezes refleti sobre nós, sobre nosso romance pré-adolescente. Foi bom, foi inocente e algo que eu desde pequena desejei um dia ter, sem noção do que era essa coisa de gostar, amar, romancear. 

Esses dias fui reorganizar as músicas no computador e encontrei uma que me fez de uma garota séria, cara fechada, chatisse em pessoa, uma menina brincalhona e que se deu o direito de ser boba algumas vezes; quando eu tinha apenas oito anos, quando nós nos conhecemos nos corredores de uma quadra. Tô lembrando minha reação ao me deparar com o sorriso mais infantil que já havia visto. Naquele momento minha afeição se ateve não só aos traços de beleza, mas à simplicidade de um sorriso e a marotagem de um olhar inocente. E foi assim, eu estava certa, você exalava inocência e bom humor. Eu contava os dias só para vê-lo nos finais de semana, quando 'sem querer' - não era proposital, oh, não. - nos encontraríamos naquele ritmo louco do espaço que frequentávamos quase como uma rotina. Estar ali, mesmo que longe, me fazia bem, nada era triste, o ar era leve e repleto de boas energias. Você não me deixava entristecer. Nunca.  

Fomos Peter e Wendy, crescíamos, mas a alma de criança seria eterna, mesmo que eu sempre batesse o pé e me mostrasse precocemente madura, você era criança nas atitudes e na vivencia; eu gostava, era isso que me fazia querer ser alguém melhor todas as vezes que eu abria os olhos pela manhã. E tô aqui, admirando as lembranças bonitas que construímos sem querer. De como de romancistas brincalhões, eu Wendy forçada a crescer por influência da sociedade, e você Peter por infringir as leis da natureza e manter uma alma envolvente e cativante, aceitamos crescer e nos falamos vez ou outra como se nossa aventura fosse o capítulo de um livrinho ilustrado que só é sólido na memória. Você foi de tudo, um amigo, um livro cheio de histórias para contar, uma paixão, um companheiro, um sorriso, uma olhadela, música, babaquices, e no fim ocupou o lugar de um irmão que só existia na imaginação. No fim das contas, você foi a minha fase mais sem noção, me permitiu ser assim, igualzinha a você.

O que é bom a gente desenha; o que é bom a gente escreve. 

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1 Comentários

  1. Gostei do desabafo em forma de texto e do uso da primeira pessoa, sem medos de se comunicar com a pessoa principal que lhe serviu de inspiração.
    Um beijo, @pequenatiss.

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Obrigada pela visita! ♥

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