Reticências

domingo, abril 22, 2012

"21 de Abril de 2012

Querido tempo;
Ontem fez calor. Hoje está frio. Mas o frio não percorre apenas o jardim ou os cômodos do chalé, ele é tão intenso dentro de mim que parece transbordar e, na verdade, o faz, pois você pode notar as manchas na carta e se convencer de que são as gotas da chuva que caí agora, mas não são. O inverno esteve presente por dias, e só o que eu pedi foi calor. Calor para acalmar, fazer alegrar-me para retomar as corridas matinais, tomar um café da manhã, e depois escrever sobre o meu dia pela noite. Calor para aquecer o frio que você deixara impregnado nas paredes de cor de bronze.

Eu sinto falta. É saudade que ainda se confunde com ter, ou nunca ter tido. Revejo certos momentos que minha fértil imaginação já veio e projetou, e então o receio me invade, e questiono o que foi real e o que apenas faz parte do meu desejo gritante de um dia ter vivido. A minha estima está alta, está sim, mas é a ausência que me puxa para o lado; para trás. Saudade que me leva ao passado, ao futuro incerto que demasiadas vezes almejei adivinhar e predizer contencioso. 

Então paro e fecho meus olhos. Tudo ao redor acalma, minha respiração diminui o ritmo. Agora, ouço a chuva cair despreocupada lá fora. Me contenho a ir ao seu encontro e deixar-me por ela ser envolvida. Mas, pensando bem, me recuso a lavar a alma deste modo. Pois o que desejo é ser envolvida apenas pelo abraço que me aquece e faz ingressar em uma nova dimensão. O abraço que em repetidos momentos me fez dizer, "e daí se não é real?", e então eu sorria e me sentia feliz. Feliz por ter ao menos a capacidade de materializar, por mais que em minha breve falta de lucidez, não soubesse da real situação ali.   

E então eu sinto falta. E o que me faz realmente falta? Enquanto meu mundo dividir-se em o que um dia aconteceu, quase, ou nunca veio realmente a fazer parte da minha realidade, não poderei afirmar com certeza. No entanto, é saudade que bate, de algo, momento, ou alguém. E, apesar da confusão, lembranças me abraçam. Agora. Sempre."

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3 Comentários

  1. "E então eu sinto falta".

    Sempre tem uma narrativa que antecede uma falta. Sempre.


    Beijinho, MF.
    >>Palavras e Silêncio

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  2. Um texto que nos toca e nos faz sorrir...pois o amor faz-nos sempre sorrir!
    Beijos,

    ResponderExcluir
  3. Coração que muda com o tempo. Junto dele, com o passar dele.

    Amei o blog.

    Beijos,
    Rachel Nunes

    http://penseecorra.blogspot.com.br/

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Obrigada pela visita! ♥

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