Daquelas histórias do meu universo

segunda-feira, novembro 07, 2011

Vesti-me com o manto da constelação naquela noite de uma outrora alegria de momento. Estive próxima dos astros que envolviam átomos que átomos envolviam. Cobri-me com o cintilar do luar sereno. Observei com perseverança o lírio e a rosa que brotavam sob meus pés, agora, fora do chão.  Compreendi que o tantas vezes inevitável não me era possível evitar. O inevitável que por noites fez-me escrever diante de algum livro de história semelhante. Que, ao lado da rosa que em noites eu deixara cabisbaixa próxima a janela, deixava-me vozes em forma de únicas palavras, que envolviam a rosa de maneira que a fazia amanhecer cheia de vida.  Um inevitável tão disperso e coerente, que de um devaneio, nascera um provável.

Por vezes pareceu-me de um possível tão distante e repleto de dispersões. Vi-me criando um universo de irrealidades, moldei com minhas mãos em algumas horas um ser que me fez enxergar mundos e realidades utópicas. Em mim, podia sentir a euforia tomar mais espaço do que a havia concedido, e tudo ao redor parecia mudar, eu parecia estar sendo anestesiada; eu apreciava aquela sensação. Uma que me isolava de lados sombrios, excluindo aquele que eu própria havia criado numa vida pós vida daquele ser tão admirado. Eu via luz aonde quer que olhava. Meus olhos marejavam distintas calmas, e neles podia-se sentir o dom da sinestesia que iludia-me por eu tanto usá-la. Problemas e angustias não me tomavam, e quando vinham, eu as desprezava sem qualquer receio. Eu não media desilusões. Meu mundo era ao mesmo tempo astuto e inocente, ambos não combatiam-se, sabiam respeitar cada um seu espaço cedido.

Durante algumas noites sonhei. Em meus sonhos eu via névoa, e então eu via luz. A luz me envolvia e realizava os meus escritos. Minha pulsação acelerava, não entendia. Minha mente alertava-me que o que eu via fora alterado pelo desconhecido, pois pouco ali estava a se realizar. Eu protestava. Era um sonho, e sonhos alteram-se por mais intensos que tenham sido os pensamentos antecedentes ao adormecer. Eu sentia meu coração sorrir à minha rebeldia, e minha mente calar-se. Eu me via voltando à nevoa, entregando meus sentidos à luz, à sinestesia que o meu redor causava-me.

Eu corria ao atravessar a parede branca penetrável, pois o medo fazia-se em faíscas dentro de mim. Mente ou coração agiam. Eu não me importava. Prosseguia. Depois de um tanto estar a caminhar, sentava-me a uma rocha que sempre estava no mesmo lugar, lateral à um belo lago que eu, em meu desejo costumeiro de inventar, adoraria nomear, mas punha-me a controlar-me segundos antes de fazê-lo. E distante a mim, do outro lado do lago um chalé fazia-se presente, sendo sempre uma surpresa por mais que fosse repetido o sonho. E então a névoa a envolvia. Eu apertava meus olhos e via. Via primeiramente a janela sendo aberta, e então a porta. E quando alguém passava para a admirável sacada, a névoa o cobria o rosto. Eu novamente apertava meus olhos, queria ver, meu coração já não suportava não saber o que ocultava o sonho, os escritos eram de minha autoria. Eu começava a dar atenção ao que minha mente dizia-me tantas e tantas vezes e eu apenas ignorava-a e atendia a meu coração. Eu abria meus olhos e via o teto de meu quarto. Eu despertava. Mais uma vez. 

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15 Comentários

  1. Bom tarde, tudo bem?
    Adoramos o post e o conteúdo do seu blog :)
    Dá uma passadinha no nosso, acabamos de postar sobre as novidades de bolsas para o verão 2012!
    Se gostar do nosso cantinho, siga-nos!
    Um beijo e boa terça-feira.

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  2. Que cantinho lindo, que sentimentos aqui descritos, senti cada fragmento do que está escrito, cada sonho e compreendo tão bem o que é sonhar e esse mesmo sonho parecer desfocado em nosso olhar. Adorei e irei seguir o teu blog. Um beijo :)

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  3. a saudade é inevitável, porque tudo é por enquanto, por isso devemos sempre no espaço do momento, sugar a seiva da vida com muita vontade.

    Muito bom seu blog. Entretendo-me por aqui

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  4. pois querida , podes sempre optar por torcer pelo FCP ;)

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  5. Ola, Bruna.

    Vim lhe agradecer pela visita no Singular.

    Como você me achou?


    Te seguindo ----->

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  6. Brunna,

    Por hora só passando, volto com mais tempo para te ler e comentar.

    Beijo meu

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  7. Tem inverno pior daquele que nos vai na alma?


    Cá virei sempre que puder


    bjka

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  8. e o que seria pior, o despertar ou sonhar?

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  9. E mais uma vez um texto intenso, repleto de sentimentos, de reflexões!

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  10. Por alguma razão achei que esse texto se tratava do processo criativo da escrita...Não sei, essa coisa de esquecer dos problemas...

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  11. Brunna, escreves com intensidade. E saiba que no sonho estás mais "acordada" do que supõe. No sonho desfaz-se a ilusão de mundo que nos permeia; somos mais livres; estamos mais perto do Absoluto. Gostei de aportar por aqui... voltarei. Bjs

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  12. Seu texto faz a gente se envolver. E querer sempre mais, chega no desfecho: Surpreende. Encanta e é lindo, adorei!

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Obrigada pela visita! ♥

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