Daquilo que eu sentia e agora sei

segunda-feira, outubro 31, 2011

O que me eleva é o ar das montanhas, a vontade das cordilheiras em transformar escuridão em luz. Os cercos divinos embrenham-se na mata, ecoam entre os vales, cantam por meio de pássaros e dançam nas copas das árvores. Existe um lado onisciente naquele lago atrás do chalé que um em mil me deixa na mão; sob o teto eleva-se a pressão ou me faz derrubar mais uma chaleira no chão. Redimindo-se, no fim da tarde, sob o céu vestido de estonteantes cores, abriga-me em seu calor; como calor humano, calor de coração de mãe. E então me aqueço e pela manhã ao frio minhas mãos ofereço, um dia que se inicia às minhas honrarias. Porque maravilhoso é sentir o vento bater no rosto e sentir sua carícia, estender os braços como se fosse receber um braço e com o ardor da brisa se entreter. Minhas medidas diferem-se ao daqui observar a maravilha que me cerca, algo do que já outrora contemplara mas apenas um terço enxergara. A estrada daqui me é ampla, observo passar o rio, a cachoeira embriagada banhar os pássaros que em pedras aquietam-se por instantes; brincam e eu de leve os aprecio. 

Tenho as mais belas visões quando proponho-me a servir à natureza que a todo momento deveria ser honrada. Vejo passar viajantes e em um até já me inspirei, aquele de olhar sereno, que quando o olhar encontrara o meu, notei a intensidade de uma vida ampla, fechado para tudo o que lhe pudesse apagar o brilho da alma que o fazia ser tão diferente, tão iluminado. Como este, passaram-se mais alguns, e para evitar repetições, nele me baseei para descrever das almas boas que vejo passar próximo do rio de pedras de onde contemplo o natural e aventureiros que propõem-se entregar ao reino das calmarias e lindas maneiras. 

Hoje, tenho a grandiosa satisfação de por em pauta o que me ocorreu em sonho. Há dias eu venho abrigando o que nunca me pertenceu, algo que fechara meus olhos para uma paisagem tão divina que à todo momento estivera à minha frente. Esta noite, senti que não estava só. Pessoas boas me cercam presentes, ou apenas em coração e mente, e entre estas, em poucas prestei atenção. A presença daqueles que tanto admirei se fez novamente intensa, puseram-se diante de mim e iluminaram a parte distante do meu coração. Sinto que, agora, os dias passarão mais devagar, o céu nublado ou iluminado voltará a trazer-me o que antes fazia-me construir novos mundos, minhas sensações serão mais claras e meus sentimentos mais visíveis. Não mais ocultarei o que nunca deveria ter sido ocultado. Mostrarei o que sinto, sem medos, sem dispensáveis precauções ou cautela; os que meu coração habitam saberão o que aqui se passa. Sem meros silêncios seguirei caminhos. Vou me ater aos mínimos detalhes e, eu sei que, meu olhos demonstrarão apenas sentimentos de alegria. A intensidade deles será como a do viajante que por vezes aqui passa. 
- B.


"Ó Deus, quando presto atenção nas vozes dos animais, no ruído das árvores, no murmúrio das águas, no gorjeio dos pássaros, no zunido do vento ou no estrondo do trovão, percebo neles um testemunho à Tua unidade; sinto que Tu és o supremo poder, a onisciência, a suprema sabedoria, a suprema justiça. Ó Deus, reconheço-Te nas provas que estou passando. Permite, ó Deus, que Tua satisfação seja a minha satisfação. Que eu seja a Tua alegria, aquela alegria que um Pai sente por um filho. E que eu me lembre de Ti com tranquilidade e determinação, mesmo quando for difícil dizer que Te amo."
Prece do mestre sufi Dhu‘l Nun, egípcio 
O Aleph, Paulo Coelho

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3 Comentários

  1. Nossa, que forma linda de descrever os sentimentos. Parecia que estava no mesmo local, sentindo o que você está sentindo. A leitura do seu texto me levou a uma viagem maravilhosa!

    Beeijos :*

    http://pamlobo.blogspot.com/

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  2. Muito maravilhoso poder ler isso .. tua escrita me animou.

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  3. Seria um deleite passar uma noite à beira de uma montanha, não?

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Obrigada pela visita! ♥

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