O tempo nas distintas realidades

terça-feira, junho 21, 2011

Sinto um completo vazio nas lembranças que me vêem em noites como esta. Feliz estou, a alma alegre que me cerca nunca se faz ausente, mas a nostalgia me domina sem que eu possa agir de modo que impeça-a de tomar-me com tamanha intensidade. Hoje, o inverno tomou seu lugar, a temperatura é amena, algo que, ao meu ver, não é tão normal. Pergunto-me se apenas eu não sinto o ar gélido, se na verdade não sou eu que estou aquecendo-me sem perceber. Estou a ouvir músicas que no dia-a-dia me deixam em profunda calma, que inspiram-me com uma profundidade maravilhosa, mas que hoje, fazem ultrapassar em mim o limite da sinestesia. Pergunto-me se a sinestesia teria um limite, se minha mente, minha alma, meu coração, não estivessem apenas fazendo-me recordar sem conhecimento das reações que ambas têm sobre mim. E então sinto-me sem portas as quais recorrer. Olho ao redor, portas de saída não fazem-se presentes. Sento-me em um canto sem meu jeito costumeiro de escolher. Olho ao redor e a fundo noto um dourado reluzir. Uma porta... Distante. Mais uma vez dou lugar a questionamentos e pergunto-me como chegar a porta. Minha mente é vaga de respostas e, no momento, sentada neste canto de algum lugar que não sei onde, apenas deixo-me, sem escolhas, ser tomada pela intensa nostalgia. E então sinto a necessidade, um desespero ameno em voltar nos dias em que a inocência de um momento fazia-me completa. Quando meus sonhos eram egoístas no quesito espaço. Afinal, por que tomar-lhes o espaço que ocupavam e faziam-me tão bem? Eles eram como habitantes de um mundo diferente dentro de mim, um mundo onde pouco da realidade eu me permitia enxergar, onde eu apenas deixava na luz o que era bom, o que era inocente.

Hoje, o mundo mostra-se a mim de modo diferente, longínquo daquele que há alguns anos conheci. Sinto-me perdida, uma nômade, às vezes, situando-se em território inadequado, e, que ao notar, apenas quer correr e fugir do que pode surgir daquelas terras desconhecidas. Vejo-me medindo conseqüências de atos ainda nem cometidos e que talvez realizem-se apenas depois de muita estrada no mundo dos pensamentos. Penso tanto que penso que um dia, talvez, possa ser tarde no quesito agir. Deixo-me ser rodeada, e mesmo não querendo, faço. Quero o meu jeito despreocupado de ser, meu modo infantil de ignorar o que hoje me deixa sob pilhas de preocupações; quero de volta as características dos meus dias de calma natural. Quero aquele outro ser. E sobre hoje, quero respostas que impaciente, sei que o tempo trará. Uso um daqui a pouco, mas quanto dura uma expressão tão clichê? O tempo poderia às vezes utilizar-lhe? Quero a porta, livrar-me dos questionamentos monótonos, repetitivos; de sentimentos e sensações dispensáveis. Não quero pensar no futuro como a repetição de tantos outros futuros. Não quero. Não vou. Ah, porta, mostre-se mais perto, ao menos deixe-me alcançá-la e mostre-me o que ocultas. 
"O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções." Clarice Lispector

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3 Comentários

  1. eu confio muito no meu namorado. é só o medo de o perder a falar mais alto :p

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  2. Olá Brunna, como vai?

    Obrigado por passar no meu blog! :)
    Nossa, seus posts são muito perfeitos, li quase todos aqui rs.

    Sucesso pra você, beijos!

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