O fantasma da meia noite

segunda-feira, setembro 20, 2010

"A biblioteca era meu melhor refúgio naqueles últimos meses. Ar adocicado, livros que pareciam me entender, e o melhor, ninguém questionando minha distração constante. Era como se todas as forças conspirassem para que eu melhorasse...

  Era meia noite. Eu compartilhava meus pensamentos com um diário antigo quando percebi a rosa solitária da janela murchar de repente. Aproximei-me e a examinei por um momento, até que senti um clarão cair sobre meus olhos que no mesmo instante se elevaram ao céu e avistaram um lampejo de luz prateada vindo em minha direção. Fechei olhos a fim de me proteger, mas naquele instante meus sentidos se dispersaram, e quando voltei a abri-los; nada havia me atingido.

  Algo dentro de mim dizia para que eu contornasse o casarão e fosse até o jardim, mas algo implicava que o ato poderia causar algum tipo de dor.

  Mas eu já não me importava com dores.

  Quando cheguei ao fim do jardim, onde havia árvores cobrindo praticamente toda área do quintal me deparei com algo atrás de uma delas. E mesmo sentindo que não devia, caminhei devagar até o movimento atrás da árvore, recuando alguns passos ao ver o que eles cobriam até então.

  Aquilo podia ser um sonho, alguma viagem utópica de minha mente juvenil, mas não, aquilo era real. Ali estava a figura mais encantadora que eu já havia visto: os olhos um tanto dourados; como ouro, pele lisa e acetinada, traços joviais, de uma altura elevada a minha, e vestia um terno preto; diferente, pois tinha algo de especial naquilo tudo.

  Ele ameaçou falar, mas agi antes que ele viesse com algo que fizesse daquele um momento normal.

- Não quero que fale.
  Seus olhos eram penetrantes, era como olhar nos olhos de uma águia; chamativos e traiçoeiros. Ele era o melhor dos pesadelos, a luz dentro das trevas, o anjo que pelo contrário, não provia de asas, e sim de um brilho envolto de si. O brilho que fazia com que eu entrasse em um êxtase irreversível quando o via. E que o fazia ter aspecto de anjo diante de tanta beleza.

  Ele era o que trazia noites em claro a qualquer criança assustada; o personagem de filmes de terror.

  Ele era um fantasma.

  E como se lesse meus pensamentos, ele se aproximou, tocou meu rosto de leve e me conteve em seu abraço aquecido diante de toda aquela névoa.

- Não quero mais ter de esperar por você. Você se tornou um vicio; um pesadelo, um sonho.
- Não sou o sonho; sou o pesadelo. – Sua voz era tremula, fazendo-me sentir como se ele procurasse algo em mim.
- O melhor que já tive. – comecei. – Você não me assusta. E...
- Não. - Ele me calou com o indicador, sorrindo em seguida. Libertou-me de seu abraço e pegou minha mão, detendo-me de qualquer palavra, e levando-me adiante de um jardim inexistente, onde só ele poderia ir.

  Eu sentia que ele procurava algo em mim. Mas ele não me machucaria.

  Eu confiava nele."

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