Praia I

domingo, janeiro 24, 2010

Já era final de tarde. O azul calmo e esplendido se despedia do meu olhar e dava lugar a nevoa anterior ao tapete aveludado de estrelas que aos poucos tomava seu lugar como todas as noites daquele verão insistente. As luzes da rua começavam a se acender, e eu observava as ondas do mar a alguns quilômetros de mim dançarem como se demonstrassem alegria em poder rever a lua e as estrelas calorosas. Conforme todas as luzes se acendiam eu ficava mais agoniada. Elas atrapalhavam a bela visão do mar que me era longe daquela sacada arejada.

Duas horas se passaram. Aos poucos o cansaço tomou minha vista que não era tão perfeita. As luzes já estavam todas acessas, inclusive as da casa e da sacada. E em resposta a toda aquela claridade importuna, desci as escadas alvoroçada, em seguida sai sem olhar para trás.

A comprida rua que levava até o calçadão da praia estava tão iluminada quanto a rua onde se localizava minha casa, e embora eu não me acostumasse a tanta claridade, aquela já não me deixava em estado de reclame. Eu sabia que logo elas cessariam. Eu podia ver a escuridão a alguns metros de mim, e ouvir o barulho da água dando de encontro aos rochedos.

Alguns minutos depois cheguei à praia. Tirei minhas sandálias e caminhei descalça na areia que naquela noite se encontrava aquecida. Não havia ninguém naquele trecho, a não ser uma mistura de poodle com vira-lata que vagava disperso na borda da praia. Busquei um lugar próximo a franja, um lugar que fizesse o mar alcançar meus pés, e me sentei, estalando os dedos para chamar a atenção do poodle que se encontrava próximo a mim. 

Ele era dócil. Veio de um jeito desconfiado ao meu encontro, mas permaneceu sentado e quieto quando percebeu que receberia uma dose de carinho durante minha estada naquela praia. E que a propósito, se dependesse da minha intenção, seria longa.

As horas se passaram, meu relógio marcava oito da noite quando me sentei na areia, e agora já era quase onze. E o cachorro continuava me fazendo companhia, e eu a ele. Ele já havia recuado e ao que me parecia, estava em um sono profundo. Mas meus dedos continuavam a acariciá-lo. Eu sempre quisera um companheiro daquele.

A todo o momento eu me perguntava como conseguia ficar tanto tempo sentada observando o mar, e eu mesma respondia.

Ficar ali, sentada, era como um refúgio a minha mente. Talvez o que eu sentia quando observava o ballet das ondas fosse um alivio tão gostoso que me fazia querer ficar mais. E mais, isso não me cansava em nenhum momento. Era confortável. Melhor até que minha cama que era tão macia que fazia do sofá da biblioteca uma pedra.

Aquele lugar conseguia distanciar meus pensamentos de algo que me aparecia a todo momento. Algo que a todo o momento parecia indefeso, com aquele olhar enigmático que insistia em estar em minha vida todas as vezes que eu fechava os olhos, mas pelo contrário, não eras indefeso, nunca fora; não para mim. Eu começava a crer que era a pior das criaturas, a mais pavorosa e desfocada beleza, a pior parte das trevas da noite; o pior dos sonhos, ou... Pesadelos?

Foi então que ouvi o rosnado do poodle ao meu lado. Alguma coisa o fizera ficar daquela maneira, havia algo de errado...

... E eu, pela primeira vez, não queria me virar para saber o que era.

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20 Comentários

  1. Muuuito show.
    Eu tbm adoro olhar o mar.
    E pra quem que o cachorro latiu????*curiosa*

    bju;)

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  2. Adooorei esse texto. Adoro textos assim, meio enigmáticos e com algum elemento mágico!

    Adorei mesmo, você escreve super beem. Beeeijos

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  3. muito lindo!!!
    super criativo e me prendeu muito, tive que ler do inicio ao fim!!
    bjocas

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  4. Adorei *-*
    como sempre muito lindo.
    Já pensou em ser escritora? *-*

    bjus =*

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  5. nossa fiquei com medo no final...também não olharia para trás..

    pena que aqui nem tem praia=/

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  6. Que lindo, quero ler todos *-*

    OBS. Eu acabei hoje O Ladrão de Raios e ADOREI! Muito bom mesmo *-* Você leeu?

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  7. que #tenso isso, rs!
    Devo observar que sua capacidade de descrição é ótima, só senti falta de alguns detalhes. Voltarei aqui e procurarei os novos capítulos desse conto. É de terror ele???

    -ah, vlw por estar me seguindo, estou seguindo vc tbm. B-jão!

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  8. Eu adoro sentir presenças enigmáticas e póstumas até não sabermos o que realmente é.
    as vezes sentir a presença de um certo alguém ou de algo é melhor do que conviver com pessoas !

    bjs linda!

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  9. Adorei o texto
    E o blog é muito perfeito!
    To seguindo
    ^^

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  10. "A todo o momento eu me perguntava como conseguia ficar tanto tempo sentada observando o mar"

    nessas horas se esquece do tempo, é quando nos encontramos com nós mesmos.


    adorei

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  11. nossa *-*
    fiquei fascinada com o texto
    achoo q nao olharia para traz tb nao

    =*

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  12. ...traigo
    sangre
    de
    la
    tarde
    herida
    en
    la
    mano
    y
    una
    vela
    de
    mi
    corazón
    para
    invitarte
    y
    darte
    este
    alma
    que
    viene
    para
    compartir
    contigo
    tu
    bello
    blog
    con
    un
    ramillete
    de
    oro
    y
    claveles
    dentro...


    desde mis
    HORAS ROTAS
    Y AULA DE PAZ


    TE SIGO TU BLOG




    CON saludos de la luna al
    reflejarse en el mar de la
    poesía...


    AFECTUOSAMENTE:
    BRUNNA


    DESEANDOOS UNAS FIESTAS ENTRAÑABLES OS DESEO FELIZ AÑO NUEVO 2010 Y ESPERO OS AGRADE EL POST POETIZADO DE LA CONQUISTA DE AMERICA CRISOL Y EL DE CREPUSCULO.

    José
    ramón...

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  13. aiiin, que show,
    eu nunca tinha visto um blog sobre livros
    é muito amor a leitura, rsrs
    parabens, te segui :D

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  14. Aiiiiin que lindo!!
    adorei
    beijos

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  15. Lindo,como todos os textos que você escreve ♥

    Abraços;

    PS : Participando da sua comunidade,já *-*'

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  16. Lindo!Amo o jeito como você escreve!
    bjos
    mah

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  17. Adorei..
    Queroo mais.

    *-*

    Beijos

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Obrigada pela visita! ♥

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