Meu querido Rex

terça-feira, agosto 25, 2009

O quarto estava escuro, pouco iluminado apenas pela fraca luz vinda do poste da rua. Ruídos, risadas, ritmos, vinham de fora. O ar estava isolado. Era tudo insuportável agora.

A companhia era de um ser menor que eu, um ser irracional. Um dos seres vítima da ignorância daqueles que dominam o mundo. Seu olhar era triste. Ele não falava, não se ouvia a vibração de sua “voz”, apenas de seu latido incrédulo. Eu podia perceber, sentir suas ondas mentais, uma telepatia, uma comunicação entre ser humano e um ser canino, que mesmo irracional, sente. Ele pedia socorro. Eles sempre suplicarão pela salvação.

“Os meios de comunicação, a televisão ligada em um canal desconhecido. Aquela tarde, na sala em plena reunião familiar, o noticiário fala de mais uma tortura. A qual mais uma vez me atingia.

Todos na sala tiraram um breve momento para discussão, mas como sempre algo os tirava a atenção. O bebê da tia Telmes havia chorado no carrinho. Todos foram ver o que acontecia. Eu o olhava com melancolia. Ele era mais um ser pequeno e frágil, sem defesas, que não imaginava o futuro que o esperava. O futuro ao qual poucos se importavam.

Impossível ver tudo isso sem indignação. Eu queria fechar os olhos e tampar os ouvidos com as mãos. Não queria mais ver, não queria mais saber de nada. Faria como muitos. Mas não consigo ser tão hipócrita. Eu sempre fiz o que pude, vou continuar fazendo, vou conscientizar quem não faz, e rezar por quem fecha os olhos e tampa os ouvidos. Eu vou tentar, vou lutar. Quero te salvar.
Meu querido Rex”

O meio sorriso apareceu. As ondas telepáticas se intensificaram.

“Eu sei que vai.”

Rex se aproximou buscando o cafuné preguiçoso pertencente a ele.

Eu tinha certeza de que ele se sentia seguro ali, agora.

“Ainda existe esperança! A nossa fé não morre, Rex.”
                                                                                   

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